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COMPORTAMENTO VERBAL

Escrito por: 
Giovanna R. Polanski Brambilla
Psicóloga CRP 08/30433
Registered Behavior Technician RBT-18-0036
Pós-graduanda em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem




No ano de 1958, Skinner publicou um livro intitulado “O Comportamento Verbal”, que propunha a descrição da aquisição de linguagem como um tipo de comportamento humano influenciado pelo esquema de reforçamento, procedimento que consiste em adicionar um estímulo imediatamente após a emissão de um comportamento e isso fará o comportamento manter-se ou aumentar em alguma dimensão. (TARBOX e TARBOX, 2016). 

Skinner (1957) denominou “operantes verbais” para descrever as diferentes unidades funcionais da linguagem, sendo: Mando, Tato, Intraverbal, Textual, Transcrição e Autoclítico, uma vez que postulava que o indivíduo precisaria aprender as associações em todas as suas categorias funcionais antes que fosse possível a compreensão de fato. (LEAR, 2004). Vale ressaltar que o Comportamento Verbal engloba sistemas de comunicação alternativa e aumentativa sinais ou Picture Exchange Communication System - PECS. (LEAR, 2004).

Mando é a habilidade de pedir itens de interesse, e é o operante verbal mais primitivo no desenvolvimento humano, ou seja, aquele que é primeiramente adquirido. (LEAR, 2004). Segundo Skinner (1957) é o único dos operantes verbais que beneficia diretamente o falante, ou seja, é por si só reforçador. Um pedido depende exclusivamente da motivação do falante, termo que no Behaviorismo tem o nome de Operação Estabelecedora. Essa terminologia diz respeito a motivação do falante com relação ao item solicitado, isto é, o quanto quer alguma coisa ou o quanto quer que um evento seja cessado. (TARBOX e TARBOX, 2016). 

Tato é a capacidade de nomear situações e compartilhá-las com alguém. (BARROS, 2003). Segundo Skinner (1957), Tato é oriundo da palavra “contato” e diz respeito a interação dos sentidos (sendo estes estímulos não verbais) com o ambiente. Esse operante verbal indica o interesse na interação social, uma vez que se deseja compartilhar com a comunidade verbal alguma informação relacionada a nomeação.

Intraverbal é a conversação realizada entre dois ou mais indivíduos e que não possuem correspondência ponto a ponto, isto é, não há repetição da mesma informação entre os falantes. (TARBOX e TARBOX, 2016). Além de estabelecer relação entre o comportamento verbal de outro falante e prosseguir um diálogo. Skinner (1957) postulava que neste operante verbal não há correspondência ponto a ponto entre antecedente e comportamento, ou seja, não há repetição e sim diálogo.

Textual é a habilidade de leitura de informações em voz alta, constatando a correspondência entre as palavras. (LEAR, 2004). Transcrição é a capacidade de escrita de um estímulo verbal. Pode ser dividido em ditado e cópia, sendo no ditado, o estímulo verbal vocal e na cópia, o estímulo verbal por escrito.  (TARBOX e TARBOX, 2016) 

O Autoclítico é tido como operante verbal secundário, ou seja, só existe na presença de outro operante verbal e tem por função alterar o efeito da informação no interlocutor. (SKINNER, 1957). Para essa pesquisa, foram utilizados apenas Mando, Tato e Intraverbal.

Há ainda o ecoico, que é capacidade de repetir sons (BARROS, 2003) e a linguagem receptiva que, teoricamente não vem a ser um operante verbal já que não há interação verbal entre os membros da conversa, mas que indica a capacidade de compreensão do ouvinte diante de comandos proferidos. (LEAR, 2004). 

É importante mencionar que a habilidade de seguir instruções, muitas vezes, é categorizada como operante verbal. Porém, Skinner (1957) afirma que Ouvir e Responder não pode ser definido como tal, uma vez que não envolve uma resposta necessariamente verbal do comportamento, mas sim do falante (interlocutor). Dessa forma, nesse trabalho, a capacidade de seguir instruções foi alocada nas áreas do desenvolvimento infantil.

Devido ao impacto do TEA na linguagem, há instrumentos que são utilizados para mensuração do comportamento verbal de crianças e suas implicações nas atividades de vida diária, tais como o The Assessment of Functional Living Skills – AFLS (instrumento desenvolvido para avaliar competências relacionadas a habilidades de vida diária e no contexto escolar); Core Skills Assessment (avaliação que contempla algumas áreas do desenvolvimento infantil: leitura, escrita, aprendizado, comunicação oral e matemática); PEAK Relational Training System e - Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program -VB-MAPP.

BARROS, Romariz da Silva. Uma introdução ao comportamento verbal. Rev. bras. ter. comport. Cogn. São Paulo,  v. 5, n. 1, p. 73-82, jun.  2003. 
LEAR, Kathy. Help us learn, Ajude-nos a aprender. Um Programa de Treinamento em ABA (Análise Aplicada do Comportamento) em ritmo autoestabelecido. Toronto, Ontario – Canada, 2a edição, 2004.

SKINNER, Buhrrus Frederich.  O comportamento verbal. São Paulo: Cultrix. 1957. 
TARBOX, Jonathan., TARBOX, Courtney.  Training Manual for Behavior Technicians Working with Individuals with Autism. 1st Edition. Academic Press. 2016.

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